Estresse e a relação mente e corpo
- Luiza Viana

- 9 de jun.
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O termo "doença psicossomática" é bastante usado para explicar uma doença física que possui causas psicológicas. Contudo, este termo vem sendo alterado pela medicina ao longo dos anos, pois atualmente sabe-se que não se pode dizer que uma doença advém unicamente do corpo ou da mente, pois ambos são interligados e podem influenciar conjuntamente para o surgimento de doenças, tanto físicas quanto emocionais (Dias & Zavarize, 2016). Estudos recentes relatam a doença psicossomática como sendo relacionada com a junção mente-corpo e os processos que estão por trás do adoecimento, manifestando conflitos e angústias por meio de sintomas físicos (Barbosa, Duarte & Santos, 2012). Estima-se que por volta de 60 a 80% da população apresenta alguma queixa somática durante uma semana (Gallucci & Manchetti, 2009), ou seja, queixas de sintomas físicos originários de conflitos psicológicos. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), 60% dos pacientes que vão ao consultório médico, na verdade, estão com alguma doença psicossomática, ou seja, uma doença que não possui causa orgânica para o sintoma apresentado. Em tempos atuais, o estresse tornou-se cada vez mais comum na sociedade. Em São Paulo, quase metade dos habitantes possuem estresse (Lipp, 2004). No Brasil o estresse tem atingido grandes proporções, pois a população possui dificuldades para lidar com eventos estressores (Lipp, 2007). Ainda segundo Lipp (2007) o estresse pode afetar a saúde, qualidade de vida e a sensação de bem estar do indivíduo (dado de 2017 da OMS).
De acordo com pesquisas recentes, o estresse ativa a descarga de neuropeptídios do nosso hipotálamo, que por sua vez acarreta na liberação do hormônio adrenocorticotrófico, responsável também pela reposta do sistema imunitário, e a consequente liberação de hormônios glicocorticoide das glândulas suprarrenais. Já os hormônios glicocorticoides irão operar nos tecidos cerebrais, dentre outros, afetando assim a cognição, podendo até provocar o declínio de receptores atuantes no hipocampo, região responsável pela regulação das emoções.
Além disso, o estresse pode interferir na produção de citocinas pró-inflamatórias, aumentando a sua produção, que estão relacionadas a uma gama de doenças advindas da idade. Todas essas alterações causadas pelo estresse no sistema endócrino e imunológico podem ter consequências no surgimento de diversas doenças autoimunes (Bernik & Lopes, 2011).
Tendo em vista que a terapia cognitivo comportamento parte do princípio de que existe um processo interno e não revelado de cognições que pode gerar comportamentos indesejados, o foco primordial na terapia baseia-se em buscar identificar tais cognições e promover mudanças de comportamento (Dias & Zavarize, 2016). Angelotti e Fontes (2007) concluíram que a Terapia Cognitivo Comportamental tem sido muito eficaz no auxílio do tratamento de doenças físicas, uma vez que o tratamento baseado nesta abordagem busca construir, em conjunto com o paciente, uma reestruturação cognitiva e a ressignificação das situações do dia a dia que causam estresse e sofrimento, já que o pensamento possui forte influência sobre as emoções e sobre o comportamento. Desta maneira, o indivíduo passa a encarar os fatores cotidianos de forma mais adequada, racional e produtiva, fazendo com que o corpo inteiro trabalhe de maneira mais equilibrada.
Psicóloga Luiza Viana CRP 06/133236

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